Enchendo linguiça com The Monks

MOnks 6a

Fotos: cortesia da banda

Quase recuperado de uma infecção de ouvido brava, estava há pouco cometendo uma imprudência: coloquei para tocar o Black Monk Time, dos obscuros The Monks.

Obscuros… Mentira isso. Hoje com a rede mundial de computadores, a Internet, não há praticamente mais nada obscuro em se tratando de música. O que existe é obscurantismo por parte dos usuários. No entanto, se eu me prolongar neste raciocínio, o texto vai perder seu foco principal: The Monks.

“Ah, Monkees”, diz o incauto, “conheço… ‘Then I saw her face, now I’m a believer!’, bacana demais essa música, né?!” Não. Dá um tempo. Presta atenção. É The Monks, não The Monkees.

Pega leve. Os Monkees eram menininhas romanas de togas cor-de-rosa perto da horda visigoda que eram os Monks. Inclusive, é difícil acreditar que um barbarismo musical daquela natureza possa ter sido gerado em 1965 e registrado em 1966.

Acabei me lembrando do texto que escrevi para a Bizz sobre o Black Monk Time para a seção Tesouros Perdidos. Enquanto eu não arranjo algo melhor para isto aqui, dêem uma olhada, é legal. Para tornar este post mais rico e elucidativo e mostrar que sou gente fina, utilizei de recursos multimídia que hoje a rede mundial de computadores, a Internet, pode nos proporcionar. É carne de segunda, mas o tempero até que é bonzinho.

Monks 2a

Futuro negro

A grosseria e o barulho dos Monks, que se recusavam em harmonizar com o púrpura.

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The Monks – Black Monk Time, Polydor (1966)

Começava o prolífico ano de 1966. O ácido já polinizava o rock anglo-saxão. À medida que as tecnologias fonográficas avançavam e a lisergia era absorvida, a música pop era construída cada vez mais em camadas multicoloridas.

Na germânica Hamburgo, surgia a antítese de tudo isso, The Monks, uma formidável deformidade da música sessentista. Enquanto roqueiros do mundo todo se preocupavam com arranjos complexos e ensolarados, cinco soldados americanos entediados, usando preto e corte de cabelo franciscano, optavam por uma barulheira crassa e dissonante.

Lançado pela Polydor graças ao lobby de um jovem produtor alemão, Black Monk Time, o primeiro e último disco dos monges, jogava um balde de tinta preta no technicolor psicodélico. Não havia nuances, apenas uma desafiadora truculência sônica governada quase exclusivamente por estruturas rítmicas.

Numa época tão submetida a demandas melódicas (pense em Revolver, dos Beatles, e no Pet Sounds, dos Beach Boys), o que eles faziam era falta de educação. Batidas tribais e marciais e um banjo elétrico tocado percussivamente davam as coordenadas para voz, baixo, guitarra e órgão escreverem, sob uma névoa de fuzz e microfonia, uma declaração de desdenho às normas de condutas harmônicas.

As letras eram tão agressivas e mínimas quantos os arranjos. Como na anti-bélica “Complication”: “Gente morre por você, gente mata por você”. Ou na peculiar canção de amor “I Hate You”: “Eu te odeio com paixão, gata, mas me ligue”.

Como pouca resignação não enche os bolsos de ninguém, o disco foi um previsível fracasso. Levaram algumas décadas para que os Monks fossem compreendidos e incluídos na lista de favoritos de gente como Jack White e Mark E. Smith, do The Fall.

Mais:

http://www.the-monks.com/

http://www.playloud.org/themonks.html

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2 pensamentos sobre “Enchendo linguiça com The Monks

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