O conselho do editor de cultura, cruzadas morais, Black Flag, Buzz Aldrin e Bill Gates

rollins

Aiiii…

Foto: Chris Richards

Certa feita, numa redação grande de uma publicação maior ainda, me envolvi numa discussão ebuliente, daquelas de gerar desavenças duradouras e que, com o passar dos dias, enchem de carrancas os corredores – que a essa altura já parecem trincheiras de uma guerra fria perpetrada numa praça de alimentação de shopping.

Na melhor e na mais mineira das intenções, eu estava tentando corrigir uma equivocada árvore genealógica do punk californiano. Com o zunzunir provocados pelas minhas minúcias irritantes, o editor de cultura levantou de sua mesa láááááááááá do outro lado da redação e veio até a mim.

Expliquei o bafafá e disse diplomaticamente que “desde adolescente empreendia uma cruzada moral pela correção de informações erradas sobre o punk divulgadas na imprensa”. E que agora, como jornalista, tinha “uma obrigação ética de impedir que enganos fossem cometidos numa revista de circulação nacional”.

Ele me agradeceu, concordou com a correção e me comeu o rabo com sutileza: “as pessoas deveriam se envolver em cruzadas morais por coisas bem mais elevadas do que música”. Não que eu ache que música não seja algo elevado, mas entendi bem o recado e o chá-de-fica-esperto desceu rascante feito pinga de rodoviária.

Sêo editor de cultura, agradeço mesmo de coração o conselho. Já nem sou mais tão punk como era há uns anos e o seu fica-a-dica me fez repensar no método e na intensidade com os quais emprego minha energia em questões que me são caras.

Sabe, estava vendo agora um especial portentoso da Corbis que reúne comentários de “escritores, heróis e pessoas que estavam lá” sobre imagens que até hoje são bem mantidas na cristaleira da sala de jantar do fotojornalismo. Finíssimis, diria o Antônio Carlos.

Entre fotos icônicas de Albert Einstein, de Bill Gates, da chegada do homem à lua (comentadas por Buzz Aldrin), de Obama e Bush (claro…), o que tem lá? O Henry Rollins falando de fotos do Black Flag.  Não tô com o orgulho ferido e nem de sacanagenzinha com o senhor, mas não tenho saliva suficiente para evitar o gostinho na boca de que talvez, assim, no fundo, de leve, eu estivesse meio que certo. Mas vou continuar prestando atenção nessa coisa de cruzada moral. Pode deixar.

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3 pensamentos sobre “O conselho do editor de cultura, cruzadas morais, Black Flag, Buzz Aldrin e Bill Gates

  1. manual da vingança: chame o sujeito pra ver uma coisa incrível na sua mesa, segure a cabeça dele e esfregue no monitor com site do especial aberto. bata na bunda dele com alguns livros de schopenhauer e, por fim, chame seus amigos para sapatearem em cima dele ao som de sua canção preferida.
    vale a demissão!

    e mto bom o texto 🙂

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