Uma pausa para avaliar uma coisa chamada FadaRobocopTubarão

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Minha terra natal, Belo Horizonte, tem uma banda nova, promitente e dona de um nomezinho escroto – não tão escroto quanto Aids Wolf, mas escroto. Fadarobocoptubarão. Escroto, diz aí. (Não queria falar para não estabelecer referências comparativas, mas…) Não é à toa uma vez que fazem parte do trio ex-membros dos mestres do mau gosto mineiro – para o bem e para o mal – UDR. (Nota do repórter na defensiva: nem me venha com argumentos artísticos, pode até ser de inspiração dadaísta, é escroto assim mesmo.)

Se você coloca para tocar a recém-lançada demo Força Dobermman, seu player logo te avisa que o tipo de música que você está ouvindo é stoner. O que é stoner no inglês mesmo? “Doidão”, “chapadão”, “malucão”… Ou seja, algo que pode ir do Grateful Dead  ao Nelson Gonçalves. Isso é estilo de música? Ah, rapaziada, mais respeito próprio, por favor.

Quem já está familiarizado com o termo mal empregado, que foi equivocadamente alçado à categoria de subgênero musical no anos 90, já está pensando numa linhagem que passa inicialmente pelo Black Sabbath e Blue Cheer, em seguida dá um salto até o Black Flag pós-My War e Melvins, mais tarde chega no Kyuss e Sleep e desemboca em centenas, talvez milhares, de grupos genéricos que pensam que estão fumando maconha em 1971 ao som do Master of Reality. E é, é por aí.

As seis faixas instrumentais de Força Dobermman são pesadas e escritas sob baixa afinação, como quem quer seguir a tradição do (Ai, caralho, de novo…) Stoner Rock. Mas algumas  características aqui diferem um pouco o trio do resto do bando.

Ao contrário das usuais timbragens absurdamente gordas e graves e músicas de construção mântrica, as guitarras são secas e comprimidas, os riffs são mais pontiagudos e não tão chapadões e o trio tem um apreço por mudanças repentinas de andamento. E com uma gravação semi-tosca, essa secura fica ainda mais evidenciada. Chega a meio que lembrar suavemente de leve o jeito com que o Steve Albini lida com peso no Shellac.

Força Dobermman tem a incipiência típica de uma demo, claro. Mas tem um bom germe ali. Sabe aquela frase típica que crítico de música usa porque acha que, do alto do seu olimpiano e relevante posto de crítico de música, ele tem PhD em futurologia – e como se isso de fato prestasse para algo: “fiquem de olho porque esse meninões ainda vão dar muito o que falar”? Então, eu não vou usar isso. Mas eu apostaria o que eu tenho na carteira em moedas que o próximo lançamento dessa banda, cujo nome eu não vou repetir, vai apresentar um alto rendimento.

Baixe a demo aqui: http://www.mediafire.com/?moifgrmmntn

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