Em caso de apocalipse nuclear, corra para as Alterosas

Se um dia o mundo virar tabuleiro de War, com generais sanguinários explodindo ogivas nucleares rumo ao apocalipse feito o filme Dr. Fantástico (aquele do Stanley Kubrick, de 64), já sei o que fazer. Vou correr para as serras alterosas. Isso se eu já não estiver por aqui, em Belo Horizonte.

De acordo a matéria “Nove lugares para se esconder”, publicada em 1962 na revista americana Esquire, BH é um ótimo lugar para se estar durante o Armagedom. Bom, pelo menos é o que se dizia quando a Guerra Fria e a paranoia nuclear escalavam e já começavam a afetar as capacidades cognitivas dos americanos.

1962_1
A pesquisa em que a jornalista Carolina Bird se baseou para escrever a matéria  foi feita com o apoio do pessoal da defesa civil americana, especialistas militares e em radiação atômica. O objetivo, como comentou na época o jornal Wilmington Morning Star,  “era encontrar áreas que não apenas não fossem afetadas pelo dano direto dos ataques ou que fossem menos afetadas pelas cinzas nucleares, mas que também tivessem recursos suficientes para o homem reconstruir uma civilização industrial”.

Além da minha terra natal, outras oito localidades são (ou eram) boas para a sobrevivência em tempos catastróficos:  Eureka (EUA), Cork (Irlanda),  Guadalajara (México),  a região do Valle Central (Chile), Mendoza (Argentina), Melbourne (Austrália), Christchurch (Nova Zelândia) e Antananarivo (Madagascar). Apenas três cidades estavam (e estão ainda) acima da linha do Equador. Bird aconselhava que, se o bicho realmente pegasse, o leitor evitasse o hemisfério norte, seus padrões meteorológicos poderiam tornar piores os efeitos da cinza nuclear.

A matéria da Esquire chegou a convencer até Jim Jones,  o líder da seita Peoples Temple. Temendo uma guerra nuclear, Jones veio com a família morar em BH em abril de 1962, após ler a reportagem. Morou numa casa no bairro Santo Antônio, a poucos quarteirões do meu escritório. Dezoito anos depois foi o mentor daquele horroroso suicídio em massa em Jonestown, Guiana. Antes tivesse continuado sendo meu vizinho.

Para todos os efeitos, se os alarmistas e paranoicos estiverem corretos sobre os impactos globais do acidente na usina de Fukushima, o mundo pode sempre contar com a hospitalidade mineira. Ainda que Otto Lara Resende e Nelson Rodrigues – com uma ajudinha do cinema nacional – tenham cravado no imaginário popular a ideia de que “o mineiro só é solidário no câncer”,  pode ter certeza, no holocausto nuclear cafezinho e pão de queijo não vão faltar.

corra para as montanhas - BH

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