11 músicas para entender mais ou menos as raízes do Nirvana

Uma vez o Kurt Cobain escreveu num papel os seus 50 discos favoritos. A escalação revelava um monte sobre a genética musical do Nirvana e do próprio Cobain. Ele morreu em 1994 e essa lista ficou circulando. Esta semana apareceu uma foto dela.

Há alguns aniversários do Nevermind, foi-me encomendado fazer algo do tipo “11 músicas para entender as raízes do Nirvana”. Era assim (agora numa versão mais palpiteira):

“Beat My Head Against The Wall”, Black Flag, My War, 1984
Quando os punks resolveram abusar da mistura maconha, heavy metal e Grateful Dead. O Bleach, de 1989, deve um monte ao My War.

“Sun of a Gun”, Vaselines, Son of Gun EP, 1987
Pop escocês canhestro cheio de melodias assobiáveis. A dupla Eugene Kelly e Frances McKee eram “os compositores favoritos de todo o mundo” de Cobain.

“Eric’s Trip”, Sonic Youth, Daydream Nation, 1988
Nessa escola, o Nirvana tomou lições de dissonância, microfonia, distorção e ruído branco. Nem precisa ficar falando muito.

“Heater Moves and Eyes”, Melvins, Gluey Porch Treatments, 1987
Apadrinhados pelos Melvins, a banda amiga foi fonte de doses cavalares de Black Sabbath. Não que o Black Flag não fosse, mas é que no Melvins a sabbathzêra é mais evidente.

“Alien Boy”, The Wipers, Is This Real?, 1979
Se o Nirvana  teve algum predecessor direto, dá para falar que foi o Wipers. Quase uma década antes e já estava tudo lá: melancolia, raiva, um monte de melodias e até camisas de flanela.

“I Saw Her Standing There ”, Beatles, Meet The Beatles, 1964
Crescer ao som de Beatles sempre contribuiu para afiar o talento de quem tem talento para melodias e refrões pegajosos. Com o Kurt Cobain não foi diferente.

“Ever”, Flipper, Generic Flipper, 1982
Com um Butch Vig, muito dinheiro e um bocado de anfetamina a menos, essa música poderia soar  como “In Bloom”.

“Midnight a Go-Go”, Beat Happennig, Jamboree, 1988
A banda de Calvin Johnson, dono da K Records e herói de Cobain, levava a sério essa coisa de ser atonal e soar primitivo.

“Touch me I’m Sick”, Mudhoney, Touch me I’m Sick EP, 1988
Deixa eu chutar uma coisa aqui: se o Mudhoney não tivesse lançado esse EP, provavelmente Seatle não teria a cena que teve. Ou pelo menos não soaria daquele jeito que soava: a mistura de crueza garageira, postura punk e uma truculência metaleira saudável. Aquele negócio (de business mesmo) que depois passaram a vender como grunge.

“Chord Organ Blues”, Daniel Johnston, Yip/Jump Music, 1983
O sujeito tem bipolaridade crônica, é bem louquinho, tem uma voz infantil e um jeito não lá muito virtuoso de tocar. Grava suas músicas em gravador caseiro e ainda consegue criar alguma beleza. Kurt Cobain vivia andando pra cima e pra baixo vestindo camisetas do Daniel Johnston.

“Debaser”, Pixies, Doolittle, 1989
A história já foi contada até cansar: sem “Debaser” não existiria “Smells Like Teen Spirit”. Maior música manjada, mas vai falar que é ruim? Eu não tenho coragem.

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8 pensamentos sobre “11 músicas para entender mais ou menos as raízes do Nirvana

    • São apenas 11 músicas, não dá para caber tudo. E é uma seleção de acordo com os meus ouvidos meio surdos.
      Mas obrigado!

  1. Tá, mas já que citou 11, deveria ter citado 12, ou então excluir algum e colocar “Greatest Gift” do Scratch Acid, pois não há melhor forma de entender o som do Nirvana no início de carreira do que uma fusão de Scratch Acid com Wipers. Se fosse pra tirar, eu tiraria o Sonic Youth que não contribuiu tão diretamente do som do Nirvana quanto a banda que citei acima: esta sim usava distorções, ruídos e microfonias bem semelhantes às do Nirvana (leia-se Bleach, Incesticide e as músicas desse período lançadas no box With The Lights Out). É só a minha opinião.

    • Também foi apenas minha opinião. Por isso que são 11 para entender mais ou menos. A intenção é so dar uma provocada, não ser guia definitivo.

      • Tá ótimo, Andrew! Eu mesmo curto bem um Scratch Acid. Não só não incluí na lista porque não coube entre as 11 na minha concepção. Mas continue sugerindo o que você achar que convem. A porta tá sempre aberta.

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