O homem que tirava poesia do ordinário

Morreu um dos maiores talentos que o cinema brasileiro já teve. E, numa área felizmente cinzenta, que o jornalismo já teve.

Muita coisa já foi dita à esta altura e por gente muito mais gabaritada do que eu. Vai ser difícil não ser repetitivo. Mas não posso deixar de fazer uma homenagem a Eduardo Coutinho, um cara que me ensinou a enxergar grandes histórias em lugares mínimos.

Coutinho fazia documentários de um jeito quase zen. Deixava a vida correr na frente de sua equipe de filmagem com intromissões quase imperceptíveis de tão delicadas. Era um entrevistador de primeira que, como disse o amigo Daigo Oliva, não sabia perguntar, sabia ouvir.

Não se preocupava em registrar eventos, coisas e personagens grandiosos. Prestava atenção nas coisas prosaicas, na lida do dia a dia. Assim, conseguia tirar poesia das histórias reais mais ordinárias. Que acabavam revelando-se tão ou mais grandiosas.

A obra que o homem deixou não é exagero chamar de sábia. “Esta tragédia grega não acaba com a biografia de um dos cabras mais criativos e independentes da cena cultural brasileira”, o Alberto Dines disse. Eu não posso acrescentar mais nada, só agradecer ao cabra.

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