Iron Minas: abrindo os arquivos do metal mineiro

Em 2005, comecei uma reportagem sobre o heavy metal feio e extremo tocado em Belo Horizonte durante a década de 1980. A matéria seria publicada na revista para a qual eu escrevia na época, a Bizz. Foi apurada em um momento em que se falava muito numa volta do Sepultura original, com Max Cavalera à frente do grupo.

Enquanto ficamos na expectativa desse retorno do Sepultura clássico, fui acumulando depoimentos, histórias e fotos raras de arquivo. Essa reunião nunca aconteceu. Os irmãos Cavalera voltaram a se falar e formaram o Cavalera Conspiracy. Nós perdemos o timing e o trabalho foi engavetado. Isso foi em 2007. Só agora estou desenterrando essas dezenas de horas de entrevistas e centenas de fotos. Tudo (ou quase tudo) inédito.

cogumelo records

Sou mineiro, nasci na “Capital Brasileira do Metal”. A cidade é cheia de histórias malucas, de personagens selvagens e cenários insalubres quando o assunto é o metal feito quase três décadas atrás.

Essa coisa sempre fez parte do meu imaginário. Tudo isso soava assustador e fascinante para o pré-adolescente que eu era quando fui conhecer aquela barulheira toda, bem no início dos anos 90. Num reduzido universo adolescente belo-horizontino que se polarizava entre “boys e metaleiros”, eu nunca fui metaleiro,  eu era o amigo nerd dos headbangers.

No entanto, o contato com aquele negócio agressivo, irresignado e segredado foi, em algum grau, uma experiência definidora. Intensificou em mim a curiosidade pelo o que não é óbvio, me tornou mais crítico diante do mundo, me fez tomar caminhos e adotar estilos de vida diferentes das pessoas e familiares com quem convivia (e aí posso incluir o punk e, hoje, o zen budismo). É meio maluco dizer isso, mas o metal me provocou a fazer escolhas na vida que nem sempre são as mais fáceis. Aquelas que ficam fora da curva.

Divagações existenciais à parte, com essa reportagem, eu queria entender como e por que uma cidade tão conservadora e, na época, isolada como BH propiciou o surgimento  de bandas importantes internacionalmente para o gênero como Sepultura, Sarcófago, Chakal, Holocausto, Sextrash e outras. Como surgiram tantas bandas em tão pouco tempo? Por que tão extremo?  Como o Sepultura conseguiu ficar tão grande? Como o Sarcófago tornou-se tão cultuado por nórdicos? E as demais bandas? Como surgiu a Cogumelo? Todas aquelas histórias malucas que ouvia quando moleque são verdade? E por aí vai.

As gavetas estão abertas e o botecos de BH revirados. Devagar vou desenterrando o material arquivado e publicando aqui essas histórias – e as possíveis repostas para as perguntas acima. O trabalho está inacabado, então pode ser que eu o retome. Vamos ver como isso vai andar.

Confira o conteúdo do Iron Minas clicando nos boxes abaixo:
bibika fenriz idelber jairo 1 jairo 2 joao cogumelo joao gordo max

31 pensamentos sobre “Iron Minas: abrindo os arquivos do metal mineiro

  1. Legal , ver aqui um pouco de historia de uma época q a paixão pela musica era maior do que este imediatismo de internet q todo mundo esquece 5 minutos depois de ler…

  2. Comecei a ouvir metal no final dos anos 80, gosto muito das bandas daquela época, principalmente as mineiras.

  3. Em primeiro lugar, parabéns pela série de entrevistas e material que você está postando nessa série. Não tenho palavras para descrever palavras para descrever a satisfação em poder fazer esse mergulho na História da cena Heavy Metal de BELO HORIZONTE nos anos 80. Tive o imenso prazer de poder acompanhá-la, sobretudo através da antiga Cogumelo Discos e Fitas (hoje Cogumelo Records) e de vários contatos que moravam (ou ainda moram) na cidade. Durante um bom tempo, tomado pela idéia de que esse movimento musical, cultural e (de certa forma) ideológico precisava ser melhor entendido e registrado historicamente, passei a nutrir a idéia de escrever um livro a respeito. No entanto, pela minha falta de intimidade com as palavras (como tem os jornalistas) e pelos inúmeros compromissos profissionais e pessoais, desisti da idéia. No entanto, ao me me deparar com seu blog surgiu a esperança de que em algum lugar há alguém tomado de paixão, competência e, principalmente, acesso às pessoas certas, possa fazê-lo! Sendo, prezado Sávio, peço-lhe que pense (se ainda não o fez) sobre a possibilidade de transformar essas informações que tens bem como outras mais que podes ainda conseguir, em um livro. A Internet tem como vantagem a facilidade de acesso e o seu baixo custo, mas é muitíssimo efêmera. Nada dura muito tempo nela. Um serviço como wordpress pode sumir amanhã como sumiram tantos outros. Outros países tiveram suas cenas undergrounds registradas tais como Chile, Noruega, Inglaterra e Suécia. A do Brasil merece ter a sua. O sucesso do documentário “Ruído das Minas” é uma prova de que existe um grande interesse em tal material. Acho que chegou a hora d’ele se tornar realidade e, pelo que pude ver até o momento, você é a pessoa mais habilitada. Desejo sucesso na empreitada e mais e mais informações sobre o metal BH! Abraços.

    • Marcelo, muito obrigado mesmo por escrever. Agradeço demais o seu reconhecimento.
      E, sim, existe uma ideia de lançar um livro no futuro. Blog e livro vão se complementar.

      Abração!

  4. Ótimo registro amigo. Estou acompanhando e literalmente viajando na leitura do surgimento tanto do Sepa como da cena mineira. Muito bacana cara. Estou aguardando as próximas partes a serem postadas sobre a cena Heavy mineira.

  5. Primeiramente parabéns por resgatar a história da música mineira,que na época era ouvida com mais tesão, devido ao dificíl acesso.
    Gostaria de sugerir uma matéria sobre a banda Atack Epléptico,banda de bh das antiga….

  6. Parabéns Sávio Vilela pelas entrevistas, moro em Natal/RN e gostaria de reproduzir aqui o que postei a pouco no meu perfil do facebook: “Tenho acompanhado os textos do Sávio Vilela no site Desova, a sessão “Iron Minas”, onde o mesmo está desenterrando horas de entrevistas e muitas fotos que usaria numa reportagem para Revista Bizz sobre o Metal extremo de Belo Horizonte na década de 1980. Pois bem, no ano de 1987, eu trocava cartas com diversas bandas e cheguei a trocar duas cartas com o Max, na primeira ele falava sobre o disco novo (o Schizophrenia), que nas palavras dele viria uma mistura de Kreator e Metallica, e a segunda ele falava que a banda estava prestes a sair do Brasil. Vasculhei minhas coisas e só encontrei a segunda, um pedaço de papel que tem 27 anos, e do alto dos meus 15 anos teve um grande significado, ou melhor, ainda tem. E sem entrar no mérito de quem são o Max e o Sepultura hoje em dia e o que eles fazem, pois isso nem vem ao caso aqui, eu só gostaria de registrar o quanto esses textos do site resgatam um passado marcante e cheio de emoções para quem o viveu. No ano seguinte, em 1988, fui ao show do Sepultura em Campina Grande e lá conheci Bangers nordestinos com quem mantenho contato até hoje.”

  7. Tá faltando muita gente pra ser entrevistada po. Tinha que ter entrevista também com o Vladimir Korg, com o Wagner do Sarcófago, entre outros.

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  11. A cena do metal ainda é forte aqui em Minas, talvez nem tanto em BH.
    Algum tempo atrás estive na praça da estação aqui em BH e estava rolando um evento de ROCK lá, umas bandinhas até boa,mais tarde entrou um banda de uns garotos lá de Varginha e os caras levaram um metal muito bom.detalhe:só músicas próprias muito bom mesmo.
    Duas coisas que pesaram contra eles:
    Cantavam em português.
    E a outra:
    Eu não consigo lembrar o nome da banda.

  12. Muito interessante, Sávio! Nasci e morei por 30 anos em São Luís/MA e peguei a época boa da cena “metal”, do Brasil, com revistas, fanzines e programas na TV. Assistia a um programa da Redeminas que sempre falava de rock e admirava muito a cena mineira. Recentemente tive a oportunidade de conhecer Delo Horizonte e fiquei encantada, tem uma “aura” meio rock até hoje, algo que não consigo explicar! Parabéns por escrever sobre essas pérolas mineiras!

  13. Parabéns pelas entrevistas! Todas são excelentes! Li muita coisa que não sabia, dei risada pra caramba! Valeu mesmo, parabéns!

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